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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ninhos de amor...


...nesta Primavera, à entrada dum Café, na Praia do Vau, Algarve.
A fraca qualidade das fotos é superada pelo simbolismo que as imagens retratam.

Gosto, especialmente, da primeira.


domingo, 28 de junho de 2009

O País está endividado e aturdido

Bem o "velho" Medina vai dizendo e alertando. Os ouvidos de mercador não o escutam!
Virão a lembra-se dele demasiado tarde?

sábado, 27 de junho de 2009

Trocas e baldrocas

"Ninguém acredita num mentiroso, mesmo que diga a verdade"
Cícero




Há muito tempo que ouço serem apontadas tendências político-partidárias aos mais conhecidos diários, semanários e canais televisivos da maioria dos países democráticos. Na Europa e fora dela.
Não me espanta, pois, que Portugal não fuja à regra. Nem o fenómeno, em si, desde que não haja ingerência estatal, fragiliza a democracia.
Sabendo todos - os que fizerem uma análise isenta e equidistante -, que a estação pública e seus apêndices estão, de certo modo, governamentalizados, agora e sempre; a SIC é uma amálgama de tendências, mais ao sabor dos gostos dos seus jornalistas e comentadores residentes, do que seguindo uma linha traçada por quem a administra, não me espanta que a TVI, num processo de equilíbrio, por estratégia ou por evolução natural, seja o rosto que dá mais voz às oposições.
Espanto-me, sim, com o manifesto e público desagrado com que o partido do poder, pela voz do seu secretário-geral, uma vezes, e pelo chefe do governo, outras tantas, invective - com contornos de pressão -, a linha editorial do canal dirigido por José Eduardo Moniz, com especial azedume para o Jornal Nacional da responsabilidade de Manuela Moura Guedes.
Estou a lembra-me do comportamento das diversas estações televisivas no decorrer da campanha eleitoral para as eleições europeias e da forma como os repórteres destacados para o acompanhamento das acções dos diversos partidos. Enquanto a RTP, e a própria SIC, privilegiaram, de forma indesmentível, o partido da rosa, em tempo e na forma, por vezes descaradamente empolgante, não houve pudor que os inibisse de, relativamente, aos partidos da oposição, comentarem em tom jocoso e em termos depreciativos, ridicularizando, as suas acções de campanha.
Comportamento que, se não é condenável na SIC, já não posso deixar de reprovar na RTP que todos nós pagamos e tem a obrigação, ética e estatutária, de ser isenta, por respeito para com os eleitores e para consigo própria.
Se a intenção de José Sócrates e dos seus guerreiros da estratégia, foi ganhar a guerra com a TVI, mandando comprá-la, para a "travestir", bem pode renovar o lote dos seus assessores. O tempo e o modo como a operação foi lançada, não foram factores de êxito para esgrimir esta espada de milhões.
E o que, mais do que as guerrilhas pelo domínio e controle dos órgãos de comunicação social, me preocupa mesmo é que continuamos a viver de mentiras.
É que, se não é a maioria dos diários e semanários colocados, hoje, na banca a mentir, mentiu o Primeiro Ministro, quando, em plena Assembleia da República, afirmou desconhecer as negociações ou a intenção da Portugal Telecom (de que o Estado é accionista de valor), comprar a Media Capital, a dona da TVI.
Mais: se Sócrates não faltou à verdade ao garantir no Parlamento que um dos últimos arguidos do caso Freeport, já havia sido demitido das suas funções de quadro do Ministério da Agricultura, a ela faltou o Ministro Jaime Silva, quando, sensivelmente à mesma hora, declarava publicamente estar ainda a ponderar essa demissão.
Convivo, enquanto cidadão que procura estar atento, com tristeza e preocupação com incompetência, o que me repugna é ser cidadão dum país onde a mentira está institucionalizada, como se nós, portugueses, fossemos um povo de mentirosos militantes!
E que os há....há!

"Na boca do mentiroso, até a verdade é suspeita"
Jacinto Benavente Y Martinez

Eleições Legislativas e Autárquicas

O Presidente da República acaba de anunciar
ter marcado as eleições Legislativas para 27 de Setembro.
Tendo o Governo já marcado as Autárquicas para 11 de Outubro, mais uma vez o Povo perdeu.
Perdeu o Povo e ganharam os partidos da propaganda, da intoxicação política. Ganhou, também a Abstenção e aquele partido cada vez mais forte, o Partido do Branco e Nulo !
A maioria das forças partidárias exigiram e o PR anuiu em mais este atestado de menoridade aos eleitores que os sentam nas cadeiras do Poder!
Que mais valias terá a democracia por os cidadãos serem obrigados a votarem duas vezes num espaço de 15 dias?

A FUNDAÇÃO do humor

Segundo o C.M., os partidos políticos têm dívidas perante a Banca.
A crer no "gráfico", é O PSD que se encontra com maiores dificuldades financeiras.

Fica uma sugestão gratuita ao tesoureiro daquela força partidária:
que tal criarem uma

FUNDAÇÃO?

(Privada, para que o Tribunal de Contas não se meta...)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Huguito, el compañero de José...


... não procurou saber da validade das eleições no Irão, não perdeu tempo em saber do verdadeiro exercício democrático naquele país, nem, tão pouco, se mostrou preocupado com a violência com que o poder instalado vem reprimindo os cidadãos que contestam um acto eleitoral de, no mínimo, nenhuma transparência.
A sua preocupação primeira foi vir em defesa do seu amigo iraniano, tal como ele, o super chefe dum super petroleiro, assacando as culpas de toda a repressão sanguinária nas potências mundiais, desde os Estados Unidos à Europa.
Hugo Chaves, também ele um ditadorzeco escudado numa democracia peculiar, onde campeia a mentira, a repressão, a perseguição de políticos rivais, o amordaçar da comunicação social, a par dum populismo revolucionário apoiado no medo, entende que um Estado é democrático se contemplar actos eleitorais. Ainda que estes sejam viciados, com fraudes e ausência de liberdade política e de expressão.
Se assim fosse, bem poderíamos asseverar que a Democracia foi praticada neste nosso rincão luso, mesmo no tempo da "Velha Senhora". Se nos lembrarmos, também houveram eleições!...
Os dados duma democracia estão viciados à partida, quando o poder, ainda que eleito, parte para a mordaça, para a perseguição política, para a partidarização dos dirigentes de órgãos e forças do Estado, para o controle da comunicação social, para a mentira, para a propaganda demagógica.
Tanto o Huguito, como seu compañero José, sabem disto!


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Angelical


Quem foi aquele menino que, ontem, em horário nobre, deu uma longa entrevista à SIC?
Com aquela candura (só superada pela da entrevistadora), aquele ar angelical de menino bem comportado, não berrando e disfarçando toda e qualquer irritação, era mesmo ele?!
Seria. O que me me deixou tão confuso como, decerto, a maioria dos espectadores que tiveram a sorte de provar tanto mel e desfrutar de tanta santidade.
Como já por aqui sugeri, continuo a interrogar-me como, depois de quatro anos com a pele de Lobo Mau, a três meses do fim do mandato e das eleições legislativas, se veste, com tanta facilidade o xaile da Avozinha.
Mas, interrogo ainda com maior ênfase se o reconhecimento do erro na Cultura, não seria uma forma cruel de considerar incultos os eleitores que o derrotaram nas urnas e justificar o facto de não aceitar que as Legislativas ocorram no mesmo dia das Autárquicas. Se ele se esqueceu de verter cultura nos portugueses, como pode o Povo, num só acto, fazer a destrinça nos boletins de voto?
Estou sempre a aprender: se já sabia que os poetas são uns fingidores, fico agora a saber que ainda mais o são alguns políticos!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Humor à Quarta


Segundo vêm noticiando alguns canais televisivos, há ainda muitos jovens alunos sem o Magalhães, o tal que, segundo garantia governamental, estaria totalmente distribuído até à Páscoa. Valha a verdade que não foi feita qualquer referência ao ano pascal!...
Entretanto, os mesmos órgãos de comunicação social vão dando a notícia de que está em fase final o estudo de uma campanha que pretende dotar os idosos dum brinquedo tecnológico semelhante ao Magalhães.
Supondo que, se a iniciativa for do Governo, o anuncio formal vá ser desenvolvido junto dos Lares, Asilos e outros estabelecimentos congéneres, e ainda antes dos próximos actos eleitorais, urge que lhe seja dado um nome.
Não se levantando valor mais alto que o Magalhães, humildemente sugiro que o novo PC dos maduros seja solenemente baptizado de:


PDI

FELIZMENTE HÁ LUAR



Agora que o Lobo Mau já fala de mansinho, mais parecendo a Avozinha; o malhador de serviço recolheu o cínico mangual no palheiro da eira; o TGV abrandou a marcha acelerada e o Jamais o mantém retido na estação, ainda que sem o descarrilar e a tia da Cinco de Outubro iluminou a longa noite da Educação com o brilho de Stau Monteiro. Agora que o teimoso maquinista, numa pirueta circense, parece mesmo mudar de rumo, poderemos pensar que, finalmente e felizmente há luar...No mínimo, até Outubro!...


E é em Outubro que, mais uma vez, somos chamados a dois actos cívicos, as expressões mais válidas da vontade popular consentidas nesta democracia.

Dois actos que bem podiam ser condensados num só dia.

Todos ganhariam, menos os que gostam do espectáculo e da propaganda populista e preferem as campanhas permanentes.

Ganhava o depauperado cofre do Estado, ganhavam as magras bolsas dos contribuintes e, a crer no que vamos vendo, emagrecia a abstenção, essa malvada nutrida e luzidia que tem engordado na medida do nosso desencanto com os políticos e as suas práticas.

Mais do que tudo isso, seria, por parte de quem decide e enche a boca de Povo, um atestado de maturidade dos eleitores que não serão tão estultos ao ponto de não fazerem a destrinça entre eleições Autárquicas e Legislativas.

A não ser assim, para além de mais descrença, só uma força poderá melhorar a sua prestação eleitoral: o Partido do Branco e Nulo...

O que, convenhamos, aliado à Abstenção não é sinal de vigor e saúde duma democracia que se diz consolidada.

domingo, 14 de junho de 2009

Maravilha, a Ilha de Moçambique

Sem desmerecer as eleitas sete maravilhas de origem portuguesa implantadas pelos cantos do Mundo, bem como todas as outras não escolhidas para o lote das eleitas, confesso alguma surpresa por não ter merecido tal galardão a histórica Ilha de Moçambique, desde 1991 Património Mundial. Ali chegou, em 1498, na época áurea dos Descobrimentos, a armada comandada por Vasco da Gama. À Ilha que, na época, tinha por senhor o sheik árabe Mussa Ben Bique e onde os portugueses se fixaram em 1507 e veio a dar o nome à então Província Portuguesa, hoje o independente e soberano país de Moçambique. De que, aliás, a Ilha, foi capital até 1898. Com muitos traços da presença árabe e as novas edificações que os portugueses foram desenvolvendo naquele antigo entreposto comercial, aquela Ilha é, historicamente, um ponto de fusão entre culturas diversas, bem substanciada nos monumentos, marcos centenários do seu passado. Para aquela Ilha do Índico, clamando por obras de conservação nos seus marcos históricos, foi o meu voto. E fica, desde já, por mim eleita como a Maravilha de todas as outras maravilhas!



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sexta-feira, 12 de junho de 2009

CIDADE de São Pedro do Sul


Discutem-se, hoje, na Assembleia da República as propostas do PSD e PS que visam a elevação da Vila de São Pedro do Sul a cidade.
Centenas de sampedrenses rumaram a São Bento para assistirem á discussão e, como espero, registarem o momento em que aquela Sintra da Beira, plantada junto ao Rio Vouga, na acolhedora Região de Lafões, adquira o novo estatuto de mais uma cidade do Distrito de Viseu.
Está de parabéns todo o Concelho, que se estende por uma vasta área e tem as seculares Termas como principal cartão de visita!

Flecha certeira

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O melhor discurso....

....do 10 de Junho, para mim, pela frontalidade e por reflectir o sentir dum Povo que se não revê na maioria dos políticos que o dizem servir e não lhes servem de exemplo:

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Santarém, 10 de Junho de 2009
António Barreto

Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Primeiro-ministro,
Senhores Embaixadores,
Senhor Presidente da Câmara de Santarém,
Senhoras e Senhores,

Dia de Portugal... É dia de congratulação. Pode ser dia de lustro e lugares comuns. Mas também pode ser dia de simplicidade plebeia e de lucidez.
Várias vezes este dia mudou de nome. Já foi de Camões, por onde começou. Já foi de Portugal, da Raça ou das Comunidades. Agora, é de Portugal, de Camões e das Comunidades. Com ou sem tolerância, com ou sem intenção política específica, é sempre o mesmo que se festeja: os Portugueses. Onde quer que vivam.
Há mais de cem anos que se celebra Camões e Portugal. Com tonalidades diferentes, com ideias diversas de acordo com o espírito do tempo. O que se comemora é sempre o país e o seu povo. Por
isso o Dia de Portugal é também sempre objecto de críticas. Iguais, no essencial, às expressas por Eça de Queirós, aquando do primeiro dia de Camões. Ele afirmava que os portugueses, mais do que colchas às varandas, precisavam de cultura.
Estranho dia este! Já foi uma "manobra republicana", como lhe chamou Jorge de Sena. Já foi "exaltação da raça", como o designaram no passado. Já foi de Camões, utilizado para louvar imperialismos que não eram os dele. Já foi das Comunidades, para seduzir os nossos emigrantes, cujas remessas nos faziam falta. E apenas de Portugal.
Os Estados gostam de comemorar e de se comemorar. Nem sempre sabem associar os povos a tal gesto. Por vezes, quando o fazem, é de modo desajeitado. "As festas decretadas, impostas por lei, nunca se tornam populares", disse também Eça de Queirós. Tinha razão. Mas devo dizer que temos a felicidade única de aliar a festa nacional a Camões. Um poeta, em vez de uma data bélica. Um poeta que nos deu a voz. Que é a nossa voz. Ou, como disse Eduardo Lourenço, um povo que se julga Camões. Que é Camões. Verdade é que os povos também prezam a comemoração, se nela não virem armadilha ou manipulação.
Comemora-se para criar ou reforçar a unidade. Para afirmar a continuidade. Para reinterpretar o passado. Para utilizar a História a favor do presente. Para invocar um herói que nos dê coesão. Para
renovar a legitimidade histórica. São, podem ser, objectivos decentes. Se soubermos resistir à tentação de nos apropriarmos do passado e dos heróis, a fim de desculpar as deficiências contemporâneas.
Não é possível passar este dia sem olharmos para nós. Mas podemos fazê-lo com consciência. E simplicidade.
Garantimos com altivez que Camões é o grande escritor da língua portuguesa e um dos maiores poetas do mundo, mas talvez fosse preferível estudá-lo, dá-lo a conhecer e garantir a sua perenidade.
Afirmamos, com brio, que os portugueses navegadores descobriram os caminhos do mundo nos séculos XV e XVI e que os portugueses emigrantes os percorreram desde então. Mais vale afirmá-lo
com o sentido do dever de contribuir para a solidez desta comunidade.
Dizemos, com orgulho, que o Português é uma das seis grandes línguas do mundo. Mas deveríamos talvez dizê-lo com a responsabilidade que tal facto nos confere.
Quando se escolhe um português que nos representa, que nos resume, escolhe-se um herói. Ele é Camões. Podemos festejá-lo com narcisismo. Mas também com a decência de quem nele procura o melhor.
Os nossos maiores heróis, com Camões à cabeça, ilustraram-se pela liberdade e pelo espírito insubmisso. Pela aventura e pelo esforço empreendedor. Pela sua humanidade e, algumas vezes, pela tolerância. Infelizmente, foram tantas vezes utilizados com o exacto sentido oposto: obedientes ou símbolos de uma superioridade obscena.
Ainda hoje soubemos prestar homenagem a Salgueiro Maia. Nele, festejámos a liberdade, mas também aquele homem. Que esta homenagem não se substitua, ritualmente, ao nosso dever de
cuidar da democracia.
As comemorações nacionais têm a frequente tentação de sublinhar ou inventar o excepcional. O carácter único de um povo. A sua glória. Mas todos sentimos, hoje, os limites dessa receita nacionalista. Na verdade, comemorar Portugal e festejar os Portugueses pode ser acto de lucidez e consciência. No nosso passado, personificado em Camões, o que mais impressiona é a desproporção entre o povo e os feitos, entre a dimensão e a obra. Assim como esta extraordinária capacidade de
resistir, base da "persistência da nacionalidade", como disse Orlando Ribeiro. Mas que isso não apague ou esbata o resto. Festejar Camões não é partilhar o sentido épico que ele soube dar à sua obra maior, mas é perceber o homem, a sua liberdade e a sua criatividade. Como também é perceber o que fizemos de bem e o que fizemos de mal. Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras.
Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia
absurda do país excepcional, único, a fim de nos transformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo.
Há mais de trinta anos, neste dia, Jorge de Sena deixou palavras que ecoam. Trouxe-nos um Camões humano, sabedor, contraditório, irreverente, subversivo mesmo.
Desde então, muito mudou. O regime democrático consolidou-se. Recheado de defeitos, é certo.
Ainda a viver com muita crispação, com certeza. Mas com regras de vida em liberdade.
Evoluiu a situação das mulheres, a sua presença na sociedade. Invisíveis durante tanto tempo, submissas ainda há pouco, as mulheres já fizeram um país diferente.
Mudou até a constituição do povo. A sociedade plural em que vivemos hoje, com vários deuses e credos, com dois sexos iguais, com diversas línguas e muitos costumes, com os partidos e as associações que se queira, seria irreconhecível aos nossos próximos antepassados.
A sociedade e o país abriram-se ao mundo. No emprego, no comércio, no estudo, nas viagens, nas relações individuais e até no casamento, a sociedade aberta é uma novidade recente.
A pertença à União Europeia, timidamente desejada há três décadas, nem sequer por todos, é um facto consumado.
A estes trinta anos pertence também o Estado de protecção social, com especial relevo para o Serviço Nacional de Saúde, a segurança social universal e a escolarização da população jovem. É certamente uma das realizações maiores.
Estas transformações são motivo de regozijo. Mas este não deve iludir o que ainda precisa de mudança. O que não foi possível fazer progredir. E a mudança que correu mal.
A Sociedade e o Estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. 0 favor ainda vence vezes de
mais o mérito. O endividamento de todos, país, Estado, empresas e famílias é excessivo e hipoteca a próxima geração. A nossa pertença à União Europeia não é claramente discutida e não provoca um
pensamento sério sobre o nosso futuro como nacionalidade independente.
Há poucos dias, a eleição europeia confirmou situações e diagnósticos conhecidos. A elevadíssima abstenção mostrou uma vez mais a permanente crise de legitimidade e de representatividade das
instituições europeias. A cidadania europeia é uma noção vaga e incerta. É um conceito inventado por políticos e juristas, não é uma realidade vivida e percebida pelos povos. É um pretexto de
Estado, não um sentimento dos povos. A pertença à Europa é, para os cidadãos, uma metafísica sem tradição cultural, espiritual ou política. Os Estados e os povos europeus deveriam pensar de novo, uma, duas, três vezes, antes de prosseguir caminhos sem saída ou falsos percursos que terminam mal. E nós fazemos parte desse número de Estados e povos que têm a obrigação de pensar melhor o seu futuro, o futuro dos Portugueses que vêm a seguir.
É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro.
Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.
Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais.
Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.
Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.
Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.
Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.
Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.
Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas
responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.
Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar "sinais de esperança" ou "mensagens de confiança". Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia
sentirá os seus efeitos.
Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.
Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país.

O "meu" 10 de Junho

Sem demagogia, pois não sou demagogo, e com verdade, por não ser político:




terça-feira, 9 de junho de 2009

Lafões nas Europeias

Em Lafões, aquela Região de beleza reconhecida, espreguiçando-se pelas margens do Vouga, é integrada por três concelhos: São Pedro do Sul, a Sintra da Beira, cujo ex-líbris são as suas concorridas Termas; Vouzela, conhecida pela sua Gente acolhedora e pelos saborosos Pastéis; Oliveira de Frades, senhora dum pólo industrial dinâmico, donde ressalta a fábrica da Martifer.
Também por lá se votou e escolheram os caminhos europeus que nos estão levando para a Europa das Nações, ainda que ninguém haja consultado a sua vontade, num referendo que se impunha, para tal desígnio!...
Eis a escolha dos lafonenses, por concelhos:

Verifica-se, assim, que os lafonenses votaram no sentido do todo nacional, penalizando fortemente o partido do governo que, como se vai sabendo e é notório, tem gorado as expectativas das populações, com especial agravo, naquela região, na área da Saúde.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Na ressaca...

...que, imagino, lhes está a saber a papéis de música.....da mesma música, de notas falsas, arrogantes e desafinadas, que nos têm tocado! Como se fossemos serpentes a encantar pelas flautas pífias desses tocadores de circo!

sábado, 6 de junho de 2009

O Sol de PEMBA (Moçambique)

Em Pemba, a mais bela Baía do Mundo!

Sendo a terceira maior baía, para mim é a mais bela.
Quem lá viveu nunca esquece. Ficou com as cores daquele sol e os brilhos cálidos do entardecer marcados no código genético. E, na alma, com a sensibilidade e a energia daquela dádiva rara da mãe Natureza!
Pemba, no norte de Moçambique, é, no melhor recanto das minhas memórias, a mais e sempre celebrada!


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sexta-feira, 5 de junho de 2009

A FRASE CERTA...

... para este fim de semana eleitoral:


Campanha infantil

No último dia da Campanha Eleitoral para as Europeias, o meu balanço está feito.
Nada a que já não estejamos habituados, vimos e ouvimos dislates, muitos dislates, acusações e insultos, autênticas lutas infantis em terreiros de escola, pela disputa do berlinde, guerrilhas chorosas pelas nicas no pião, com berrinhos histéricos e mentiras e promessas à mistura nas sacolas.
Exemplos nada edificantes, bem à medida do quadro sujo nesta escola nacional onde tudo se aprende menos civismo, ética e verdade!
Ainda assim, não deixarei de depositar o papelinho para a rifa, para que não sejam os outros a escolherem por mim o fraco prémio que me vai sair em sorte.


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Faleceu Glória de Sant'Anna

Imagem em ForEver Pemba e Bar da Tininha,
a Home de Pemba
(Jaime Gabão)



A triste noticia chegou-me hoje. Faleceu um Senhora de vulto, que se notabilizou no Ensino e na Poesia, e de quem, não há muito, havia escrito no Vouguinha inicial (http://vouguinha.blogspot.com):

Autora de muitas obras poéticas, desde há muitas décadas, Glória de Sant'Anna deixou marca indelével em gerações que passaram por Pemba, aquela idílica cidade no Norte de Moçambique, e de quem foi Professora, em todas as vertentes educativas. Mestre, conselheira, amiga, arrebatou os corações dos jovens que tiveram a dita de serem seus alunos.

E é, Hoje, vulgar, nas reuniões, nos encontros e convívios das Gentes ligadas a Moçambique, a recordação saudosa daquela Senhora que, para além de educadora de mérito, transmitiu aos seus alunos a sensibilidade e a alma da sua poesia, impregnada das cores e dos cheiros daquelas terras do Índico em que as suas vida mergulharam.

Mas, para um conhecimento mais profundo de Glória de Sant'Anna e da Familia Andrade Paes, nada melhor que uma incursão amiga a território do pembista e, também, seu discípulo, Jaime Gabão, por aqui: http://br.geocities.com/andradepaes/

E, numa singela homenagem à grande mestre e poetisa, um poema seu, simultaneamente belo e singelo, em versos rimados no canto melodioso e singular dum MARAPI, aquele pequeno sapinho que pula irrequieto, de tronco em tronco, depois do cacimbo da noite ou das chuvas tropicais, de Moçambique e que, ora, fica por aqui a saltitar nas margens frescas deste meu Vouguinha, vaidoso por o receber no seu leito:









Pousado na fímbria
da sua música
marapi enche a manhã
da próxima chuva.

Sobre o talo verde
em que se apoia
é branco de jaspe
atento e redondo.

Olha-me e sabe
que sou um intruso
e garganta de oiro
murcha de súbito.

Mas está dado o aviso
por sua música
à longa transparência
toda húmida
Glória de Sant'Anna - in AMARANTO

E a mim, que não tive o privilégio de a ter como Mestre, sorte que apenas coube aos meus três irmãos, só por isso e pela sua sensibilidade e mestria poéticas, que soube transmitir aos seus filhos, me é permitido dizer-lhe:

OBRIGADO!


Que repouse em Paz esta Senhora que a soube merecer em vida!