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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma mão cheia de nada...


... a outra cheia de dívidas.
Em 2005, José Sócrates prometia uma mão cheia de profundas - esperadas e necessárias - reformas na administração pública, criação de milhares de empregos e um rotundo não à subida de impostos.
No fim do mandato, em 2009, depois de governar com uma confortável maioria absoluta e ter a faca, o queijo, algum autismo político e muita, excessiva, arrogância, não reformou (limitando-se a colocar gente da cor nos postos chave da função pública), não criou empregos, subiu os impostos.
Foi uma mão cheia de nada!
A oposição e outros especialistas da sociedade civil, alertavam-no para o rumo perigoso da nossa economia. O governo empertigava-se perante os conselhos, rugia ferozmente às críticas, enquanto ia alardeando um futuro risonho, apoiado na sua auto proclamada bondade, no seu empenho e sapiência.
Fim de mandato, campanha eleitoral, mais uma mão cheia de promessas, de perspectivas optimistas e um conveniente e estrondoso "engano" no deficit e na real situação da nossa economia.
Últimos dias de Abril de 2010, escassos meses após a tomada de posse de mais um governo socialista, com a mesma personagem na liderança, e já desnudado o monstro do deficit, da dívida galopante, do nulo crescimento, do desemprego em preocupante marcha acelerada, eis um artificial amansar da ferocidade, desvanecendo-se o brilho do gasto discurso de retórica gabarola, enquanto se apela à união nacional.
Culpados? Continuam a ser os outros, desta feita os de fora, os desalmados especuladores que, pela calada da noite, como lobos esfaimados, nos atacam com os obuses dos juros, espicaçados pelas malvadas agências de rating!
O inimigo deixou de morar no nosso Bairro. Emigrou....
Na perspectiva governamental, todos errados, todos maldosos, forças que atacam o Estado português, sem que lhe hajamos dado o flanco, sem que o governo, ainda no entendimento deste, se tenha, para tal, "posto a jeito". Tudo isto, sem que o máximo responsável pelo executivo tenha levado em boa conta os avisados alertas que lhe vinham sido feitos, desde há anos!...
Tocam, agora, os clarins de S. Bento. Apelam, estridentes, ao patriotismo; pedem tropas e reforços que, conhecendo o peculiar espírito solidário dos portugueses nas horas amargas, sabem lhes não serem regateados, ainda que os mais sacrificados, nesta como noutras batalhas, sejam sempre os infantes apeados, a soldadesca mais desprotegida...
Entretanto, avança um dos generais desavindos, dos que reúnem mais tropas, que acerta os passos com os desígnios do comandante supremo do governo.
Logo os costumeiros arautos televisivos, que nos habituaram à bajulice laudatória, batem palmas e pretendem fazer-nos crer que tem sido a luta partidária, a falta de apoio da oposição, a responsável pela crítica situação económico-financeira a que chegámos.
Como se alguém, mesmo os mais desatentos, esquecesse, como já atrás mencionei, que José Sócrates governou mais de quatro anos com maioria absoluta e usou e abusou do princípio do "Quero, Posso e Mando", enquanto os parlamentares socialistas iam fazendo tábua rasa de todas, e foram muitas, as propostas da oposição.
Esperemos para ver. Que rezem os que têm fé; que os masoquistas militantes (e votantes) continuem a adorar o "grande leader", enquanto sacodem a caspa do casaco; que alimentem uma réstia de esperança de que algo de positivo resulte desta comunhão de esforços, todos os outros.
Por mim, pedindo penitência pela visão "negativista", pressinto que com este chefe de governo - e faço a destrinça entre a pessoa e o partido a que pertence -, não há como retroceder na caminhada para o abismo económico e social há muito iniciada.
Mais pressinto, com preocupação, que, destes esforços, para além dos sinais e boas intenções, não teremos para o País, outra vez entre tantas, mais do que uma descarnada mão cheia de nada!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Outros tempos, outra honra!

Chegou-me via mão amiga.
Assinado pelo autor, felizmente, ainda entre nós, testemunha de valor dos tempos em que nem tudo seria bom, como é óbvio e sabemos, mas em que se respeitavam, ao mais alto nível, os valores que, nos nossos dias, são frequentemente espezinhados por quem teria o dever maior de os preservar e praticar:


"MEMÓRIAS DO PORTUGAL RESPEITADO
Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.
O embaixador incumbiu-me - ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada - dessa missão.
Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.
Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.
Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.
Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país - Portugal - que respeitava os seus compromissos.
Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar - é nada dever a quem quer que seja".
Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.
Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem."


Sedm mais comentários. Basta reflectir....

domingo, 18 de abril de 2010

Os falidos

Hesitei na legenda para este cartoon do Carlos Laranjeira.
Pensei em "Dá o roto ao esfarrapado".
Vi-me grego para decidir e optei por um "euphemismós": Miseráveis solidários.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

A capital de Moçambique em Março de 2010




Sabe bem rever a capital de Moçambique, que alguém me disse ter sido desenhada a régua e esquadro, tal a amplitude das suas avenidas e a sua forma bem delineada. E que tive o prazer de confirmar quando a rainha do Índico me acolheu por algum tempo.
Estas e outras imagens, em maior quantidade e melhor qualidade, poderão ser vistas no blogue de viagens do JT, em www.sulafrica.blogspot.com/


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domingo, 11 de abril de 2010

A nêspera e o magnório


Decorria quente aquele Verão de 1975.
Nas ruas de Lisboa, sucediam-se as manifestações políticas. Ecoavam as palavras de ordem, os megafones ganhavam estatuto de utensílio do quotidiano.
Acalorados eram, também, os debates na Assembleia, ali a S. Bento, onde se discutiam, num irrequieto ambiente, os contornos da nova Constituição.
Eram o ano de brasa, de disputas, de intrigas, de frenesim, de cartazes, slogans e alguma confusão.
O largo do Calvário, a Alcântara, era o local de convívio, sempre que as pausas do trabalho o permitiam, de alguns companheiros do meu ofício.
Três deles, oriundos das regiões a norte do Douro, desafiaram-me para um "petisco de magnórios", que teriam na residência comum, à Rua das Francesinhas, nas imediações do Palácio de São Bento.
Era habitual que um deles, o de Famalicão, sempre que regressava de mais uma visita à família, fazer-se acompanhar de umas garrafas de verde "Tâmega", com que brindava com os amigos mais chegados. Outro, das imediações do Porto, era, por norma, portador duns enchidos e rojões, tudo pasto das petiscadas ("Trainadas", como ele as denominava) do grupo habitual.
Foi dele o convite para os magnórios. E lá fui, petisqueiro interessado, convencido de que iria ao encontro dum lanche de mais uma iguaria nortenha.
Após uma caminhada de meia hora, chegámos à moradia e estranhei que os três passassem, de imediato, para o quintal interior, um espaço típico dos bairros mais antigos da capital e de onde sobressaía uma nespereira ramalhuda, em que pontuavam pequenos frutos amarelados.
Vi-os saltar, como felinos adestrados, de ramo em ramo....e fui esperando, impaciente, que chegasse a hora do prometido petisco.
- Não sobes? Olha que os magnórios não vão aí ter contigo!
Estranhei o reparo de um deles, ao mesmo tempo que pressentia haver algo de errado nas minhas expectativas gastronómicas.
- Mas...isso são nêsperas! - arrisquei, com algum enfado.
- Nêsperas? Vai pedir as nêsperas às vendedeiras do Mercado do Bolhão e verás o que te acontece. Levas com os tamancos nos costados que só paras na Praça da Batalha! - respondeu-me o portista, por entre sonoras gargalhadas!
E entendi o logro em que caíra. Não tinham sido mesmo aqueles "magnórios" que me mereceram o sacrifício de tão longa caminhada pelas ruelas da cidade!
Pior, não tive como disfarçar a minha ignorância quanto à designação que os meus companheiros davam àquela fruta.
Regressei ao Calvário, ainda a salivar por algo mais substancial que aqueles frutos e acabei a noite a vingar-me num dos restaurantes da zona, a degustar um bife suculento e a martirizar-me por conhecer tão mal os usos e costumes do meu país, a que retornara poucos meses antes.
Decididamente, a nêspera do Porto é outra fruta.....

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As ameias de Valença

Já foi assim noutras vilas e cidades.
Zangaram, estrebucharam, reclamaram, choraram.........conformaram, na sul vil tristeza.
Não dão votos. São poucos, não pesam na cartilha eleitoral.
Foi-se o ministro primeiro, veio a ministra depois, Setembro de eleições adiou o sabre. Que voltam a brandir na saúde e na vida de quem não goza da alforria de grande urbe, de generosa carteira de votantes.
O Interior seca, o Interior emigra, o Interior deserta, o Interior morre, com o apertar do laço duma política merceeira.
Chegada a hora de Valença, mais um estrebuchamento, mais um clamor pelo vilipêndio, que não terá eco algum no distante palácio dos interesses.
Revolta justa, mas em vão, com o senão dum precipitado desfraldar de bandeira de outrem, sinal dum virar de costas ao País de que se não podem alhear e é terreno próprio para continuar a luta por direitos. Pela Saúde.
Em Valença, e em todas as praças interiores, votadas ao desprezo pelo egoísmo centralista das grandes zonas metropolitanas.
Mas intramuros, para cá das nossas ameias e em nome da nossa Bandeira!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

África do Sul, Março de 2010

Principal vizinha de Moçambique, a África do Sul é uma potência africana, que sobressai pelos seus índices de desenvolvimento.
Caldo de etnias e culturas, o seu cariz multirracial emergente do fim do execrável apartheid confere-lhe uma faceta muito própria no continente africano.
A toda esta realidade não é alheia a visão humanista, a palavra e o exemplo, do símbolo da Paz que ainda é Nelson Mandela.
Ensombrados os últimos dias pela morte dum radical de extrema-direita, um movimento minoritário que se mantém arreigado aos ultrapassados dogmas da separação étnica, teme-se pela eclosão de confrontos que alterem aquele quadro de relativa paz e convivência.

Na antecâmara do Campeonato do Mundo de Futebol, que a África do Sul se orgulha de vir organizando e que se vai disputar muito em breve, todos esperamos que a sábia e pacífica palavra do Nobel da Paz vingue no espírito de todos os sul africanos, seja qual for o seu credo ou cor.

São do final de Março último as fotos do JT, publicadas num dos seus blogues de viagens, em
http://sulafrica.blogspot.com/. Limitei-me a dar-lhes algum movimento e acrescentar-lhes uma amostra das canções da inconfundível voz de Miriam Makeba.


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sábado, 3 de abril de 2010

Duas amêndoas doces...

... do Litoral Alentejano, são as lagoas de Santo André e da Sancha. Reserva Natural, aquelas áreas protegidas são consideradas santuários de passagem de aves migratórias.
Amêndoas doces, chegadas ao Vouguinha com mais uma Páscoa e que, espero, e esperamos todos, não venham a sofrer da amargura dos abusos urbanísticos e preocupantes atentados ao Ambiente cometidos na região algarvia.
Que, não se podendo recuperar dos erros do passado, se preserve para o futuro o que ainda de genuína Natureza vamos tendo, e em que pontua, ainda, o litoral alentejano.


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